quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Encadernações Antigas - Hermínio de Oliveira

Quantas vezes já vos aconteceu olharem para livros estimados e velhinhos, que querem preservar junto de vós mas que o tempo não perdoa o seu gradual deterioramento?



Muito bem, um "Professor Doutor" em encadernações antigas , cujos 82 anos de vida celebram grande experiência na área, pode ser a solução procurada.



Hermínio de Oliveira, Livreiro Alfarrabista nas Caldas da Rainha, dá aos vossos livros o cuidado e o restauro necessitados. Dá-lhe ainda a oportunidade de conhecer uma das mais vastas e ricas bibliotecas privadas de Portugal, com exemplares únicos que se perdem na história.


Contactos:






- Rua Camões 37, Loja 3 - Caldas da Rainha



2500-174 CALDAS DA RAINHA



- Tel:262831568



- Horário de Funcionamento: De Segunda a Sexta, das 10:00 às 13:00 e das 15:00 às 19:00. Sábados das 10:00 às 13:00.






ENCADERNAÇÃO ANTIGA:










A - CABEÇA: Parte superior de um livro.



B - CABECEIRA: Extremos da lombada.



C - CASA: Espaço entre dois nervos da lombada.



D - CONTRA-GUARDA: Material que cobre a face interior da pasta e a folha de guarda. Em alguns casos, a Contra-Guarda é também a Folha de Guarda.



E - CORTE DIANTEIRO: Lado oposto à lombada.



F - GRAVAÇÃO: Elementos gravados no material que cobre as pastas e lombada do livro.



G - GUARDA: ou Folha de Guarda, é a folha que se coloca antes das folhas ou da capa original do livro a encadernar.



H - LOMBADA: Parte onde se encontram cosidos os cadernos do livro.



I/L - NERVO ou NERVURA: Nas encadernações antigas, eram o material onde se prendiam os fios da costura dos cadernos, atravessando a lombada e prendendo-se à encadernação. Modernamente os nervos são pequenos pedaços de cartão colocados sob o material que reveste a encadernação.



M - PASTA: Interior dos planos. Vulgarmente a Pasta é dado o mesmo sentido de Plano.



N - PÉ: Parte inferior do livro.



O - PLANOS: Lados da encadernação.



P - RÓTULO: Etiqueta colada na lombada, normalmente de cor diferente da encadernação, onde se inscrevem o nome do autor, título ou quaisquer outras indicações.



Q - SEIXA: Espaço ocupado pelo material da encadernação e que não é ocultado pela Guarda.



R - TALAGARÇA: Tecido de fios finos usado para consolidar o lombo dos livros depois de cosidos.



S - TRANCHEFILA: Reforço das extremidades do lombo, normalmente de uma tira de tecido.




Fonte: DIAS, João José Alves, Iniciação à Bibliofilia, Lisboa, Pró-Associação Portuguesa de Alfarrabistas, 1994, pp. 35-36
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SOFIA SERRENHO

sábado, 17 de janeiro de 2009

Entrevista a Juliet Marillier


Juliet Marillier, a conhecida autora da Trilogia de Sevenwaters, lançou no fim do passado ano mais um romance, “O Segredo de Cibele”.
A autora é conhecida como sendo a sucessora de Marion Zimmer Bradley e vive actualmente na Austrália, apesar de se deslocar frequentemente em grandes viagens que lhe servem de inspiração na escrita dos seus livros.
A N entrevistou por e-mail Juliet Marillier para saber um pouco mais sobre o seu mais recente livro, publicado e traduzido em português, a 23 de Novembro de 2008, pela editora Bertrand.
O livro tem a particularidade de ter como uma das personagens principais um pirata português, Duarte de Aguiar.

N: É possível estabelecer um paralelismo entre as sociedades descritas nas suas histórias e as sociedades actuais?

Juliet Marillier: Alguns aspectos são idênticos e outros diferentes, daí que seja tão interessante escrever histórias baseadas naquelas sociedades. O comportamento humano não se alterou muito desde essa altura, ainda que seja ligado por diferentes conjuntos de regras, dependentes de tempo e cultura. Pode ser um pouco frustrante fazer as personagens dos livros cumprirem aquelas regras sociais – por vezes, eu sou tentada a tornar as mulheres que eu crio, por exemplo, um pouco mais independentes do que elas devem ter sido nas suas culturas.
Muitos leitores contactaram-me a dizer que se identificavam com determinadas personagens dos meus livros e que a jornada dessa personagem os ajudou na sua própria jornada. Penso que isto é uma indicação de que apesar das características históricas nos livros, o paralelismo existe realmente.

As suas personagens são inspiradas em alguém da vida real?

Eu nunca crio personagens totalmente baseadas em indivíduos específicos da vida real, mas uso o que observo das características e comportamentos dos humanos em geral para criar personagens. A personagem de um livro pode ter atributos de muitos tipos diferentes de pessoas que eu observei ou li. Penso que todos os escritores de ficção fazem isto. Tento criar personagens possíveis de serem verdadeiras, mesmo que os parâmetros e as histórias dos romances sejam algo do fantástico.

Em relação ao último livro publicado em português, “O Segredo de Cibele”, em que género literário o inclui?

Eu não classifico os meus livros em géneros – isto é algo quase sempre feito pelas editoras e pelos livreiros por ser um rápido e conveniente meio de organizar os livros e de os vender ao público. “O Segredo de Cibele” contém elementos de vários géneros – Romance, aventura, mistério, fantasia e romance histórico.

Em “O Segredo de Cibele”, uma das personagens principais é Duarte de Aguiar, um pirata português com uma extraordinária força de vontade. Quem ou o quê serviu de inspiração a esta personagem?

Em parte, criei esta personagem como forma de gratidão aos meus leais leitores portugueses, cujo interesse no meu trabalho é bastante inspirador. Os membros de um fórum de fãs on-line ajudaram-me com o nome “Duarte de Aguiar” e com alguns diálogos em português no livro original. Eu gostei da ideia do carácter com defeitos e com motivos suspeitos, que no fundo é um esconderijo, revelando-se num herói.

O que a faz escrever sobre pessoas que viveram há milhares de anos atrás e a muitas milhas de distância? Tem alguma identificação pessoal com essas pessoas?

Eu adoro História, li-a e estudei-a durante anos. Normalmente tendo a usar temas que estão relacionados com a minha própria ascendência (países celtas), mas no caso de “O Segredo de Cibele” e de “Danças na Floresta”, expandi a minha aventura um pouco mais longe, para a Transilvânia e para a Turquia, de modo a incluir algumas diferenças, como elementos folclóricos.
As personagens dos meus livros são como pessoas reais para mim, tão reais como se eu estivesse a escrever uma história passada no presente, na Austrália. As qualidades humanas de fé, honra, coragem, amor, força não se alteram com o passar das gerações e, infelizmente, nem os seus defeitos, ciúmes, irritabilidade, covardia e por aí. Estes elementos constituem a parte real dos livros.
Adoro escrever o tipo de história que explora as relações e o desenvolvimento humano com uma fascinante história de fundo (com um pouco de elementos mágicos pelo meio).

http://revistan.org/2009/01/12/n-entrevista-juliet-marillier/


SOFIA SERRENHO

sábado, 10 de janeiro de 2009

Quando for grande quero escrever como tu!




__Começo a correr às voltas, um desiquilíbrio embriagado pela vontade de fugir. O frio ruboriza as minhas faces. Quero voar, quebrar os limites que não me deixam escrever no tempo sem imposição, mas, como num volteio, não saio da mesma roda de pegadas fossilizadas que me prendem à Terra e conquistam rotinas.


__Fecho os olhos e peço um desejo, QUANDO FOR GRANDE QUERO ESCREVER COMO TU!


__47 ventos primaveris abriram mão da sua nudez para com eles me levarem. Inspirei neles a alegria de escrever e dancei sem pudor e sem barreiras. Borboletas sairam da minha alma, finalmente livre, para numa estrela darem vida à palavra lar.


__Voltei à infância esquecida, senti os doces sabores da descoberta e deixei que o meu bloco de notas voasse nas asas de uma gaivota. Não quero mais sentenças, ordens impostas ou sentidos construidos. Quero a liberdade. Não quero ver as minhas pegadas serem levadas pelas ondas, nem tão-pouco pedir-lhes que corram onde não posso, em vida, chegar! Pois pisarei eu mesma os terrenos virgens de vida humana...


__Pintei de amarelo, cor da vida primária que nos seduz pela mágica simlicidade, os beijos terrenos. No turbilhão emocional, tudo precisa de ganhar uma nova cor, uma nova surpresa que abraçamos como a um urso de peluche, reconfortante e quente. Mil e vinte abelhas coloridas zumbiram em volta dos meus emaranhados cabelos de rio, navegando por ele ao infinito, coleccionando para mim olhares.


__QUANDO FOR GRANDE QUERO ESCREVER COMO TU, desvendar segredos e reinventar caminhos despreocupados de estética. Passear por sonhos acordados, deixar a esferográfica ganhar vida e nela me acolher.


__E sabes que mais? Aí as borboletas poderão vir mesmo a viver numa estrela!


ANA SOFIA SERRENHO

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

LEOPOLDINA





_Creio que não é difícil seduzir através da televisão uma criança, que, na sua ingenuidade, ainda não distingue a verdade da mentira. _Ora se para um adulto é difícil fugir às artimanhas da publicidade, quando lhe são apresentadas as soluções para os seus desejos, para uma criança é ainda mais fácil sonhar e acreditar.
_O Natal é um jackpot de emoções para as crianças se tivermos em conta toda a publicidade televisiva que lhes é dirigida. Todos os brinquedos que desejaram ou que ainda não sabiam existir aparecem na sua televisão, no intervalo dos desenhos-animados, chamando-lhes a atenção e parecendo tão fáceis de adquirir.
_Lembro-me perfeitamente de escrever as minhas cartas ao Pai Natal com os olhos postos na televisão, escrevendo nomes intermináveis de brinquedos, só lembrados pelo desenfreado estímulo ao consumo transmitido pela televisão, sem pensar no que mais poderia ser o Natal, para além daquilo. Alguém um dia me fez ver que o importante do Natal não é isso, mas é preocupante ver que há actualmente muitas crianças como eu fui que não têm esse discernimento.
_É por fugir um pouco a este estímulo “sem piedade” que admiro a publicidade da Leopoldina. Analisando-a, verifico a sua estratégia subtil de mostrar à criança o mundo encantado dos seus sonhos através de pequenas histórias bem organizadas, conseguindo deixar passar uma mensagem bem clara “Este mundo está mesmo à mão, nas prateleiras do Continente”.
_O anúncio sabe prender as crianças, é criativo, a música, por há anos ser a mesma, já está bem interiorizada e todo o jogo de sons, cores e movimentos, aliados à personagem Leopoldina, tão conhecida, levam as crianças e os pais a entender bem a mensagem.


_Oiçam até fartar... Depois, juntem-se ao clube!


ANA SOFIA SERRENHO