quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009
quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009
Açores - S.Miguel

Cheguei ontem dos Açores...
Um grito de ansiedade ecoava dentro de mim por desejar descobrir um novo chão. Viajar de avião não era novidade, novidade seria cada segundo futuro, longe da civilização continental. O primeiro passo na Ilha exprimiu-se em sorrisos, com os meus companheiros, pois conquistara-mos aquele momento tão esperado.
A alegria percorria com impulsos repletos de energia cada poro do meu corpo, fazendo-me saltitar numa dança compassada que contagiou o grupo.
Partimos rumo ao indescritível, rumo à aventura de pisar o desconhecido e de pôr à prova o que de trás conhecemos. A chuva não nos intimidou, ali tudo se tornara doce e a amizade e o companheirismo cantavam alto pela imensidão do mar. Bebemos da música desses momentos eternos, prometendo reencontros e novos aconchegos, pondo à prova o partilhar e o espírito de grupo e abrindo-nos para amizades novas, sem preconceitos, no mais essencial estado da alma, sem a prisão dos princípios materiais.
O FesTiM era o motivo, mas por tudo se tornou secundário. Entre disparates e gargalhadas, entre cantigas e sorrisos, pandeiretas, saltos, caloiros e público, entre olhares cúmplices e mãos entrelaçadas, entre assobios e palmas, guitarras, adrenalina, luzes e plenitude, conquistámos o palco e de poucos parecemos muitos, colorindo boas emoções. Uma voz soou parecendo vir de outro mundo, declarando-nos “Tuna Mais Tuna” e considerando-nos donos da melhor música original. Se teoricamente era o fim do festival, no íntimo era o declarar de uma maior aproximação, sem quaisquer possíveis ressentimentos. Com cerveja brindámos à equipa, abraçando o momento e chorando pelos que dele não puderam fazer parte.
Pensava que os Açores eram de Portugal, mas são certamente parte de outro mundo. Lá a lua cheia e o sol segredam-nos estórias de fundos verdes e azuis, que nos extasiam e levam a passeios arriscados em pontes fragilizadas por instintos pesados. Voltamos à infância, dos pic-nics e churrascos em família, das voltas contra o vento nos baloiços, das gomas que com a sua simplicidade nos tornam mais doces e deslumbramo-nos com esse reencontro de emoções.
Chamámos Deus à Terra quando a melodia do órgão, pelas mãos dos que sabem abraçar a música, ecoou na Igreja de S.Pedro e aí selámos amizades que piscam o olho à palavra sempre.
Por curvas apertadas ouvimos cascatas e visitámos o paraíso. Lá a água é amarela e quente, os caminhos tornam-se todos certos e os pássaros transportam o vento, que nos fala em amor e solidariedade.
Com chá e cantigas, ficou no pensamento o travo da despedida.... e, com violenta turbulência interior, voltámos a aterrar...
A todos os "requinhos" da Real Tuna Académica NeOlisipo, com um muito obrigada!
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