Corro, corro no escuro, sustenho o sopro que o meu ser emana. Corro no escuro, pés descalços, pontapeio as poças do restício de dia chuvoso. No decorrer deste balançar sem rumo encontro O abrigo, a luz na escuridão. De mãos dadas, o compasso do medo abranda, o som do coração toca mais longe, pulsa mais calmo. Páro de correr. Agora o andar permite o vislumbre do que se avizinha, permite olhar nos olhos de quem com a mão na minha me diz que consigo. É nesse então que toda a escuridão rodopia numa dança desenfreada pela vontade de conquista, pela vontade de saber mais, pela vontade de correr o risco e perder o medo… é vida que renasce.
Sofia Serrenho (inspired by Piazzolla)
