quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Libertango




Corro, corro no escuro, sustenho o sopro que o meu ser emana. Corro no escuro, pés descalços, pontapeio as poças do restício de dia chuvoso. No decorrer deste balançar sem rumo encontro O abrigo, a luz na escuridão. De mãos dadas, o compasso do medo abranda, o som do coração toca mais longe, pulsa mais calmo. Páro de correr. Agora o andar permite o vislumbre do que se avizinha, permite olhar nos olhos de quem com a mão na minha me diz que consigo. É nesse então que toda a escuridão rodopia numa dança desenfreada pela vontade de conquista, pela vontade de saber mais, pela vontade de correr o risco e perder o medo… é vida que renasce.

Sofia Serrenho (inspired by Piazzolla)

domingo, 1 de novembro de 2009

Salta...


*
Salta! Como se o céu estivesse à distância dessa pequena impulsão, como se as estrelas se colhessem como flores. Dá a mão ao teu anjo-da-guarda e aperta-a com ternura pelos momentos em que te amparou e ajudou!

Salta, como se a tua caminhada estivesse a escapar-te, e repisa o teu rumo com nova força de vontade. Conquista cada grão do chão que o teu semblante testemunhou com o travo doce do teu carisma.

Salta comigo, coleccionemos sorrisos e palmas neste mundo que é nosso, onde cantamos e dançamos todo o dia de todos os dias, fazendo pirraça às palavras sem cor.
*


À RTAN!

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

domingo, 13 de setembro de 2009

3 minutos de escrita criativa com o afilhado

Tenho medo do escuro!

Há fantasmas que me agarram e sufocam, ou que me raptam para viagens vertiginosas pelo seu mundo de seres estranhos e feios, com muco a sair pelas orelhas e piolhos a saltar nos pêlos dos pés!

Há pontes que se desmoronam quando as atravesso e me fazem escorregar por uma queda sem fim, que me faz ficar sem respirar e me agonia pelo grito que quer sair e está preso!

Há aranhas que me possuem enquanto as minhas mãos estão paralisadas ou atadas a fortes grades enferrujadas! Ou que me fazem cócegas nas bochechas com as suas peludas patas enquanto sopro para tentar afastá-las, ofegando pela antecipação do pior dos receios.

Há mortes que ressuscitam e vivos que morrem, fazendo-me chorar pelo medo de perder quem amo.

Há corridas que se fazem sem correr pelos dias que passam em segundos. Visões de infância recalcadas no mais sub do subconsciente.

Acendo a luz… Agora só quero sonhar !

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Acordar


Julgava-me acordar de um sonho mau...

A manhã pareceu-me fria, tenebrosa, fruto da reviravolta de pensamentos negros que ainda mal me tinham abandonado.
Uma lágrima secava ainda no canto do meu olho, mas um palpitar ansioso despertava esperança, que por ser a mais resistente persistiu traiçoeira e até maldita.
No meu sonho um amigo caía do berço de carinhos e especulações fantásticas, onde um cobertor de boas memórias e vivências nos aconchegava de noite e de dia, ao som de gargalhadas melódicas.

.................................................Que dolorosa

................................................... queda tornou branca

....................................................... a noite e preto o sol!

....................................................... Tornou gélida a água

....................................................... e desenterrou calafrios

....................................................... que eu julgava esquecidos...

....................................................... Pedras alojaram-se no meu

....................................................... peito e esqueci-me

....................................................... como roubar e

.....................................................pintar sorrisos...

Foi o sonho mau que acordou para mim!

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Improvisos...


* Dancemos em rodopios de tentação, abraçados com a força da saudade e do reencontro. Que bela confusão faz palpitar o coração e rir pelas conversas mil, trocadas entre cúmplices olhares aventureiros. Dancemos na praia, na escuridão da noite, de pés molhados à beira da água morna, onde a areia denuncia a presença de momentos perfeitos pelo seu encantado improviso! Segredo-te estórias de encantar ao ouvido… A dança pára para de capa traçada brindarmos ao aconchego. A Lagoa emana luzes que lembram sonhos e, juntos, reinventamos paisagens. Num instante descobrimos o travo mágico de lugares secretos que, à noite, se revelam para mergulhos em sentimentos de prazer, onde até a compassada respiração fica sem pé e nada pelos trilhos do imprevisto, sem se envergonhar da loucura… Gargalhadas que lembram a essência dos momentos inesquecíveis transportam-nos para cenários de faz de conta, onde nos tornamos príncipes viajantes pela época medieval. Com uma coroa de hera passeio imponente pelo castelo onde juntos pisamos o risco e sentimos os cheiros da época de promessa de amores eternos! E quando reabrimos os olhos, saindo deste mundo de brincar, distraímo-nos e perdemo-nos em carinhos que roubam sorrisos de forma recíproca, ao som de músicas que inspiram a partilha e a proximidade, tocando o corpo com massagens que confundem o pensamento e que tornam doce o paladar dos profundos beijos. Adormeçamos por fim, entregues à magia do cafuné. O sorriso que me preenche é por ti e para ti! *

SOFIA SERRENHO

domingo, 1 de março de 2009

Segundos

*
Se um novo começo batesse à porta, dir-lhe-íamos cuidadosamente para partir, amedrontados pela dose de aventura emanentemente prometida. Seríamos guerreiros de manhas fluentes em defesa dos velhos caminhos. Porém quando a rotina nos pregasse partidas e os nossos princípios fossem destipulados, aquele visitante que um dia nos batera à porta voltaria a assolar a nossa memória e nele desejariamos refúgio... Os mundos que nos constroem são conquistados com anos de cumplicidades mútuas, e podem ser postos em causa por segundos de desvaneios prazeres.