
O Universo segredou-me ao ouvido e eu devendei-o de olhos fechados.....
Ouvi a história de uma centupeia que caminhava sem rumo, com cem pés apressados e desnorteados, cada qual com seu caminho. Cem pés tão apressados, que não saíam do mesmo sítio. Cem pés tão apressados, que nenhum trunfo erguiam. Cem pés tão apressados, que de cansaço caíam!
O Universo segredou-me ao ouvido e eu desvendei-o de olhos fechados.....
Vi cidades em chamas, negras de carvão, com gente a caminhar sem sorrir. Gente que se resignava ao acre paladar da rotina. Gente que caminhava de olhos no chão, com medo de perder o caminho, com medo de olhar o sol, com medo de descobrir satisfação!
O Universo segredou-me ao ouvido e eu desvendei-o de olhos fechados.....
Cheirei flores que murchavam ao amanhecer. Flores que saltitavam e dançavam quando a lua lhes piscava o olho. Flores que de nós se queriam esconder!
O Universo segredou-me ao ouvido...e eu, levitando sem pesar, senti-me a sonhar!
ANA SOFIA SERRENHO

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